Encontre uma posição confortável, sustente a coluna, encontre a estabilidade interior, aquele ponto divino onde se cruzam a firmeza e o relaxamento, passe a observar a respiração...o fluxo natural da vida entrando e saindo, permaneça ai neste estado de observação interna e sensibilidade pelo tempo que você sentir-se confortável...feche os olhos para ver de verdade...
...

Agora que você voltou a exteriorizar a consciência quem sabe o mundo não tem mais cores, sabores, perfumes, luzes... Enfim quem sabe o mundo não tem mais sentido agora.
A menor introspecção é suficiente para liberar uma alma, nos promete Sri Krishna no seu divino canto (Bhagavad Gita), temos nosso tempo de trabalhar, de diversão, de ler, escrever,para pagar as contas, temos tempo para namorar, para passear, para falar do outro...e quanto tempo temos dado para nós mesmos? Quanto tempo temos dado para simplesmente respirar e SER.
A menor introspecção é suficiente, fala o amado, mas na era sombria(kali yuga) nem mesmo estes poucos minutos podem ser cumpridos, estamos ocupados demais com a quantidade monstruosa de “tarefas importantes”.
Eu posso adiar meu encontro com Deus aqui dentro, mas estes compromissos todos, sociais e financeiros não podem ser adiados, eles garantem minha sobrevivência...o pior é que esta corretíssimo, os compromissos inadiáveis da vida quimérica, garantem a sobrevivência, mas o encontro com o divino em nós garante a VIDA!
E não é qualquer “vidinha” é vida plena, é vida abundante!
Mas pêra lá...vida abundante, isto é complicado demais, como posso conciliar a sobrevivência com a plenitude, elas parecem até contraditórias, eternas inimigas. É rir para não chorar, basta encontrar um alguém vivendo a VIDA e apedrejaremos este maluco imoral e pervertido, ele esta cuspindo em tudo aquilo que levamos séculos para construir, ele será muito perigoso, pois representará aquilo que mais tememos e evitamos: O NOVO!
Todos os grandes seres simplesmente rejeitaram a idéia de ser um “eterno buscador”, um “pecador em busca da perfeição”; viram diretamente, através da auto-revelação, que dentro estava a plenitude já realizada; se assim não o fosse teríamos de admitir que Deus erra;
Por favor, de atenção a isto! Se você esta imperfeito, incompleto, maculado e precisa encontrar a perfeição celestial , então aquele que te fez, errou os ingredientes e agora o resultado é que você foi responsabilizado pelo erro de outro!
Isto é loucura, o TODO perfeito só pode produzir perfeição, como seria possível que da perfeição viesse à luz imperfeição? A única maneira de responder positivamente a esta questão, seria construir uma idéia um tanto maluca, chamada “livre-arbítrio”.
Ou seja, se eu posso escolher, eu posso optar pelo mal, ou pelo bem, e este jogo só pode ser sustentado através de outra idéia ainda mais maluca, que existe um “eu”, claro, porque para que se possa escolher precisa existir “aquele que escolhe”, pronto, a coisa vai ficando ainda mais complexa, porque para que exista o que escolhe, a escolha e o escolhido precisa existir o “separado”, até mesmo para justificar que “eu existo”, estou escolhendo e sou diferente do “outro” , minhas escolhas me salvam, me condenam, me iluminam, me levam ao céu ou ao abismo!
O resultado imediato desta corrente de idéias não poderia ser outro: CONFLITO.
Sim, conflito com o outro que faz opções diferentes das suas, e principalmente conflito interno,consigo mesmo, porque as inúmeras forças que regem o seu existir, não estão nem aí para o seu código de regras e pecados-virtudes.
Sim, conflito com o outro que faz opções diferentes das suas, e principalmente conflito interno,consigo mesmo, porque as inúmeras forças que regem o seu existir, não estão nem aí para o seu código de regras e pecados-virtudes.
Perceba que a sociedade se sustenta na crença da separatividade, o que gera em seguida, hierarquia, castas, pirâmide social, fama, marginalidade,preconceitos, poderio, tirania, autoridade, controle, autoridade.
Autoridade irmãos...esta é uma palavrinha complicada, significa “fonte de poder”, ela se sustenta através da hierarquia, ela só existe porque pessoas se subordinam a outra, obedecendo incondicionalmente, matando a inteligência, que é por si só a capacidade de questionamento...porque os nossos ancestrais aceitaram isto?Porque continuamos aceitando isto?
Um homem se levanta e diz: “Eu sou o representante de Deus na terra!” Às vezes “eu sou Deus na terra”, e todos vendo que ele como todos, solta um espirro de vez em quando,solta pum, faz coco, xixi , tem medo de barata, tem sono, tem fome, enfim que ele é exatamente como todo mundo, porque aceita-se isto?
É duro, mas a resposta é patética, aceita-se por pura e risível PREGUIÇA!
É duro, mas a resposta é patética, aceita-se por pura e risível PREGUIÇA!
Preguiça de pensar, preguiça de manter-se livre, manter-se atento, amoroso, disponível; a questão é que é mais fácil seguir uma serie de normas e mandamentos, a tentar solucionar estes conflitos que surgem nas relações e no ver-se a si mesmo.
Então, do que é que estamos falando? De obediência cega, de poder estabelecido, que é por si só uma das piores blasfêmias já construídas pelo homem, a obediência cega a autoridade máxima do lar o “pai”, o “diretor” na escola, o “chefe”, o “coronel”, o “sacerdote” com certeza o pior deles, pois é contraditório e falso desde o inicio!
Alguns dizem que isto nasceu dentro das comunidades monásticas, quando surgem os “superiores”, a piada triste é que “monos” significa UM. Como pode existir então uma unidade quando o exercício de poder e autoridade são vigentes?
Porque isto é assim? Para manter MAYA, sim, para dar sustento e manutenção a idéia de todos separados e todos pecaminosos, lutando por se tornar qualquer coisa diferente de sua verdadeira natureza, que já é realizada.
A ilusão, o poder das trevas, não é uma força espiritual maligna, querendo perverter as almas e levá-las todas ao inferno, este inferno já é realidade e foi construído em nome de Deus, e vai se desenrolando há milênios, e é justamente nossa educação religiosa que desdobrou-se em educação moral, social, política etc.
Todas as nossas leis estão alicerçadas na tabua dos dez mandamentos( não precisa ser a tabua de Moisés, qualquer código de conduta estabelecida por um suposto “escolhido divino”) , interessante aproximar estas duas palavrinhas tabua e TABU.
Tabu é tudo aquilo que é considerado inaceitável, proibido, bizarro dentro de uma determinada sociedade.O que classificaria isto? Claro nossas leis, nossos códigos de conduta mediunizados por algum “mensageiro divino” motivado por interesses políticos,pelo desejo de estar no todo da pirâmide, ainda estamos vivendo um êxodo difícil, saindo da escravidão do Egito, para um perambular pelo deserto onde é mais fácil trocar um poderio por outro, buscando as exteriorizações por preguiça de sentar e VER o que de fato somos, enfrentar as angustias e dores acumuladas pelo nascer e morrer é uma tarefa muito árdua, e admitir-se pleno demandaria a troca de um conjunto de idéias mal interpretadas sobre o que é ser um santo de Deus, o que é ser iluminado!
As águas foram abertas pelo milagre divino, aquilo que quero e vejo ser verdadeiro em mim e aquilo que devo obedecer e seguir cegamente, mas ao fazer a travessia desesperadamente corremos para o conhecido, para o VELHO.
Em busca daqueles modelos políticos de relacionamentos de uso, de pactos de lucratividade e hierarquização das relações. Em busca de uma possível felicidade de conto de fadas, onde todos viveram felizes para sempre ignorando a dor de todos os demais.
Seria interessante recordar que uma das perseguições difíceis a Sri Krishna e que o levou a ser assassinado foi a paixão de Radha, Krishna representava o tabu encarnado, para alguns o AMOR(sim o amor é tabu), como podia Krishna ser um Guru?Como poderia ser Deus encarnado na Terra? Ele tinha inumeráveis namoradas, era jovem, belo, andava com o peito nu, tocando sua flauta e dançando pelas ruas, isto não é um modelo de filho de Deus.
Lembre-se, Deus é o juiz-mor, o criador de todas as proibições, e seu filho deve ser um alguém muito sisudo cheio de:
Lembre-se, Deus é o juiz-mor, o criador de todas as proibições, e seu filho deve ser um alguém muito sisudo cheio de:
“pode-não pode”.
Como se poderia aceitar um mensageiro assim, cheio de natural e espontânea alegria? Para piorar as mulheres estavam se apaixonando por ele, e Radha estava prometida em casamento, perceba a simbologia, ficar com o amor ou honrar o compromisso social, manter o patrimônio, a família, o patriarcado?
É interessante que o mensageiro do amor, o cupido venha trazendo flechas e não flores, amar envolve uma boa dose de sofrimento, de dor, uma vez que construímos toda uma sociedade pautada no suprimir da sensibilidade e do afeto em favor da posse, da estrutura separatista, da hierarquia!
Todo aquele que se levantou para viver o amor foi apedrejado, cuspido, escarnecido, flechado, queimado...a historia não o nega, e prova o quanto ainda estamos agarrados na busca pela CONTINUIDADE, a angustia infinita de saber-se perecível, impermanente, frágil, nos defendemos desta verdade invariável tecendo a teia do “eu” e fofocando a respeito do “outro”, este jogo nos entretém e nos mantém distraídos do medo de evaporar no tempo...lamentavelmente este medo da morte é maior do que o anseio pela VIDA, esta é a realidade e o selo da idade das trevas, quando o medo da morte congela nossa habilidade em amar sem exigir. Quando o amor deixa de ser a única lei, a única verdade, o único Deus. Então sabe-se que o esquecimento varreu a oportunidade de se meditar para saber-se quem se é.
Este tema é profundo, desdobra-se em outros inúmeros, e nos leva a questionar qual é o verdadeiro sentido da realização espiritual, o admitir-se pleno e viver o gozo de ser.
O momento para ser feliz é agora, o momento de se desnudar dos valores mentirosos é já, o momento de mergulhar e reconhecer-se divino é inadiável, a oportunidade esta a frente no espelho da consciência. Aqui dentro do peito é o lugar onde nascerá um novo ser, o messias do Amor.
Entrego-me sem resistência ao meu sagrado coração, meu templo solar, entrego-me com urgência a minha suprema presença, que é amor em continua manifestação neste e em todos os planos da natureza.
Reconheço-me como a plenitude que eternamente EU SOU, e me liberto das amarras do medo, para ser e viver com abundancia!
EU SOU AMOR!
Vida plena!
Vajrananda(Diógenes Mira)

